Semeadores...
Não por acaso ou coincidência qualquer nessa vida tumultuada, o texto do Evangelho a ser meditado no meu primeiro fim de semana de permanência em Manaus, trouxe a belíssima Parábola do Semeador, reafirmando a necessária convicção que o Reino de Deus vai dar certo, ao produzir seus benéficos frutos, às vezes em trinta, em sessenta ou mesmo, para a alegria de muitos, em cem por um, porque é resultado da fecunda Palavra, semeada abundantemente.
O que obervei melhor, na área Tancredo Neves, é como são lançadas tais sementes: em rodas de capoeira, na praça de esportes para jovens, na organização dos “arraiás”, com a sobriedade de não proporcionar bebidas alcoólicas, nas festivas danças populares, nos pequenos círculos bíblicos, nas celebrações litúrgicas comuns, e até no cuidadoso acompanhamento pessoal. A presença dos Oblatos na região é valorizada, mesmo quando por um descuido qualquer nos ausentamos, como ocorrido em uma das celebrações. Quanta generosidade e fiel disposição!
Um resultado positivo inicial, foi o texto colocado em nosso “site” onde o Pe. Roberto, OMI partilha um pouco, do mesmo processo de semeadura, vivenciado entre as distintas populações indígenas, organizando lentamente uma pastoral voltada ao atendimento das mesmas. Quantos desafios locais e tantas respostas pessoais, compreendidas em meio à fraterna acolhida; nos momentos diários da oração matinal, e na alegria de apresentar proposições para o futuro.
Não por acaso também, no segundo fim de semana lá celebrado, intermediado pela reunião do Conselho Provincial, cuja ata brevemente chegará a todos, a continuidade das parábolas tratava da semeadura do joio em meio ao bom trigo. Que artístico trabalho requerendo paciência, na área Ternura de Deus, para deixá-los crescer, visando um bem maior! Quanta ansiedade em arrancar e destruir, em uma região onde a proporção de Igrejas pode chegar a cem por uma.
Impossível não valorizar as forças vivas/ missionárias de religiosos/as e leigos/as ali encontradas em visitas às residências, acolhedoras ou não, encontrando pessoas despreparadas ou convictas dos lares a serem abençoados, representando um pequeno passo para a organização do caos geral, religioso, social, estrutural e humano, que somente de bem perto se pode experimentar. Terminamos com orações e solenes testemunhos, encorajando a continuidade da missão.
Certamente há muito por fazer naquelas áreas, manifestando a construção básica de estruturas, que permitam a celebração da vida e da fé na alegria da pertença ao mesmo Reino, consolidado na vocação comum de cristãos. As comunidades religiosas existentes aos poucos se reintegram, com a chegada dos novos membros enviados, evidenciando os naturais conflitos a serem superados na prática da Caridade e, sobretudo do crescimento pessoal.
Semeadores perseverantes e quase incansáveis, em meio às naturais adversidades do momento histórico que lhes cabe, permitindo o progresso pessoal e comunitário a fim de poder avançar para outros “mares”, como recentemente também havia experimentado na visita a Paróquia Santo Eugênio, Diocese de Santo Amaro, onde a garantia do desenvolvimento futuro das comunidades já é anunciado como resultado do crescimento de sementes fartamente lançadas, no exercício comprometido da missão Oblata.
Pe. Rubens Pedro Cabral, OMI


