Não somos hospedes!

Imprimir

 Catástrofes, previsíveis ou não, de quaisquer naturezas, especialmente com a intensidade que acompanhamos no início deste ano, nos auxiliam a recordar a fragilidade do conjunto de ecossistemas, que preservam todas as formas de vida, como fomos capazes de reconhecer até o presente. Ao ser humano, última das espécies desse planeta, coube a tarefa peculiar, pela consciência adquirida, de usar e cuidar de tudo com responsabilidade. 


Donald, W. Winnicott, (1896-1971) pediatra e psicanalista inglês, acentua a importância do desenvolvimento e do agir humano quando afirma de maneira positiva, que “todo organismo está potencialmente envolvido em um processo de crescimento e maturação, com a finalidade de atingir uma independência relativa, que possibilita uma forma de ser e estar no mundo de maneira peculiar”. Entretanto isso exige!

Resistências ao processo de crescimento explicitam esta realidade quando assistimos desde a infância, as crises de “birra” para não arranjar os brinquedos ou próprio espaço, assumir tarefas escolares e os demais desafios que aos poucos se impõem. A tentação de ceder, descompromissando, implica no retorno aparente da harmonia aniquilando muitas vezes o necessário, porém doloroso desenvolvimento pessoal.

Revela-se aqui a fantasia persistente e mais primitiva, que em sombra acompanha o existir: a de que, alguém deve responder por nós, realizar nossos sonhos, garantir os prazeres saudáveis da vida, encarregando inúmeros revezes a outrem. Isso justificaria também os regimes escravagistas, a multiplicação de serviçais, a perversão do “levar vantagem em tudo” na lei do menor esforço e, sobretudo a cruel destruição da natureza.

Contrariando o potencial desenvolvimento, autonomia e responsabilidade, histórias verdadeiras, dão conta de pessoas ou nações interias cujos comportamentos destrutivos se manifestam em múltiplos ambientes, como atos de vandalismo. Subsistem com a ideia de que é possível destruir, estragar, cabendo aos demais preservar e construir. Como hóspedes, desejam receber serviços em níveis de excelência, experimentando prazer de reencontrar seu ambiente total e absolutamente arranjado, delegando posteriores cuidados.

Na mística da criação as potencialidades, assim como diferenças existentes, devem provocar fraternidade, complementaridade, inter-relação, interdependência, onde todos podem sobreviver. Constata-se, entretanto movimentos conflitantes: por um lado as exigências do processo de maturação, vinculado a autonomia, ao alegre cumprimento dos deveres, compromissos éticos e responsabilidades que julgam nossas ações. Por outro, a inconsciência infantil, predatória, alienada e consumista, insaciável em sua expressão de prazer, acúmulo e poder aviltando os princípios mais elementares do existir.

É provável que a perplexidade e a indignação, o desconcerto causado pela morte de tantos inocentes, os prejuízos intermináveis sejam em aspectos econômicos ou não, auxiliem ou conduzam a humanidade para a na compreensão importante e necessária de que nesta terra não somos hóspedes ou inquilinos. No universo que habitamos, pela dignidade e grandiosidade de nossas tarefas, somos parceiros, “coabitantes”, uma vez que o destino de alguns, certamente acabará por ser o de todos e que os valores defendidos por muitos suportará o necessário cuidado e o equilíbrio que preserva e destina essa terra para o futuro.

No momento em que políticos votam um “novo” código para o destino das florestas no Brasil; que os órgãos públicos aprovam as construções de usinas na Amazônia, favorecendo grandes empreendimentos, mas desalojando ribeirinhos, destruindo milenares culturas indígenas e supervalorizando a posse legal ou ilegal da terra, aumentando vergonhosamente do número de mártires, como presenciamos, resta-nos expressar nosso desejo de Justiça, de uma verdadeira Paz e pelo respeito mais fundamental à manutenção da vida.

O Sangue derramado dos mártires, as lágrimas e o silêncio imposto aos mais pobres e desprovidos do “poder deste mundo” há de ser, pelo compromisso dos que permanecem, um perene sinal de que um outro mundo é possível, necessário e urgente como tantas vezes se proclama.

Pe. Rubens Pedro Cabral, OMI.

I like very much this iPage Hosting Review because this is based on customer experience. If you need reliable web hosting service check out top list.
Joomla Templates designed by Best Cheap Hosting