Do pó ao povo!
Muito me alegraram as experiências vividas em 2010, por ocasião da Semana Santa, em Campo Alegre do Fidalgo – PI. Foram preciosos dias de contato com pequenas comunidades, a maioria de caráter quase rural, composta de gente suficientemente simples para que a fé pudesse ser vislumbrada como perene bênção. Ser acompanhado, naquela desafiadora geografia, pela entusiasmada figura do então diácono Cleber, OMI; na bênção dos Santos Óleos em contato com D. Pedro Brito Guimarães e demais sacerdotes diocesanos; pela presença fraterna e pausadamente reflexiva do Pe. João Kot, OMI; e do pó, muito pó que me recordo da região, sobretudo na escaldante visita à gruta de Santo Antônio do Pinga, onde quase nos atolamos em areia. Felizmente uma ocasional chuva alterou essa rotina, mas a poeira daquelas “bandas” estava lá, pronta para se apresentar, na mesma constância da água salobra que serve, prejudicialmente, a maioria da população.
Desde a minha ordenação sacerdotal, aquela foi a primeira experiência em viver com tempo e “intimismo” os principais e grandiosos momentos celebrados; as pessoas lá estavam, mas sempre em pequenas quantidades; em minha Hora Santa da Sexta da Paixão, ninguém se apresentou para o sacramento da reconciliação, tendo sido convertida então em valioso tempo para contemplação e reflexão, finalizando tudo com a diminuta, e certamente imbatível marca, de apenas seis confissões atendidas durante todo o período, em parte motivada pela falta de hábito daquele povo, que em tempos remotos mantiveram bravamente sua fé, sem a presença próxima ou disponível de um sacerdote.
Minhas recentes ações, vivenciadas quase no mesmo período acima rememorado, e objeto principal do presente comunicado, dirigiram-se em movimento completamente inverso. Posso garantir que tempo próprio da recente Semana Santa, começou com um “banho de povo” em Vitória de Santo Antão - PE, visitada ainda no final da quaresma, e complementado posteriormente pelas celebrações nas comunidades do Jordão/SESI no Recife- PE. Quanta gente, quantos encontros, sobretudo quanto calor, em todos os sentidos, me obrigando a recordar agradecido, dos anos passados entre paróquias e grupos pastorais, com desafios semelhantes em respostas necessariamente novas e criativas.
Finalmente, a programada viagem a Belém-PA, não para o grande evento do Círio, como na vez anterior, tampouco para um curto tempo de visita, mas para celebrar desde aqui esse forte tempo litúrgico, seguidos dos encontros dos formadores e posteriormente do distrito norte. Quantas diferenças da experiência anterior! Quantos atendimentos particulares; quantas pessoas na quase interminável procissão para adoração da cruz, ou na renovação dos compromissos batismais; quantos esforços empreendidos por todos, para que as pequenas comunidades, ou a imensa matriz de São Francisco estivessem em condições de viver bem esse tempo especial. Novamente pude ser grato ao valioso treinamento nos ritos, vividos no passado, e ainda do feliz aprendizado de amor e acolhida paciente aos irmãos, que esses propícios momentos provocam.
Chuvas diárias nos acompanharam, mas a fidelidade do povo também, permitindo que tudo fosse devida e corajosamente celebrado com alegria, dignidade e simplicidade. À acolhida fraterna da comunidade local, composta apenas pelo diácono Ricardo, OMI e o Pe. Sérgio, OMI, devo agradecer, sobretudo pelas orações e ações comunitárias, entretanto, pelo feliz retorno vivenciado junto aos fiéis interessados, participantes, e atenciosos que encontrei, devo minhas freqüentes orações, na certeza de que aprendi muito, crescendo mais no exercício de minha vocação, ontem vivida na predominância do pó, em meio às pequenas comunidades; hoje do povo, na vastíssima região que compõe este chão, “vocacionado” desde sempre à missão oblata.
Desde Belém - PA, uma Feliz e Santa Páscoa, que pela eternidade continua!... Pe. Rubens Pedro Cabral, OMI.


