A Espiritualidade Natalina Da Kénosis

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Não se pode falar de espiritualidade do Natal sem levar em conta o que significou a ação divina de descer até a nossa humanidade para ser um de nós: Emanuel – Deus conosco! Deus preferiu amar ao extremo, sem medidas, nem reservas, amar plenamente:
veio ser um conosco, experimentar da nossa vida, da nossa fragilidade, da nossa condição humana. Ele veio armar a sua Tenda no meio do nosso mundo. No Natal somos convocados a pensar mais no mistério do Deus eterno que se faz um conosco. Natal é sacramento da encarnação divina. Não é simplesmente uma festinha de aniversário para comemorar mais um ano a mais do nascimento de Jesus. É que os ícones atuais do Natal do Papai Noel, do pinheirinho, das guirlandas verde-vermelhas tomaram o lugar do grande festejado.
Muitas pessoas já nem sabem o significado desta festa; sabem apenas que é um dia anual para
ganhar presentes. Quanto distanciamento do mistério que celebramos!

 Natal costuma tornar as pessoas mais abertas às reflexões, nesses tempos em que vivemos mergulhados num consumismo selvagem. O espírito natalino é utilizado para induzir pessoas
à compra de presentes e artigos de festas. A corrida pelos presentes faz do Natal um período de ansiedade tanto para quem tem com quem se reunir como para quem não tem. Os primeiros enlouquecem na produção de uma festa que, a cada ano, tem de ser maior. Sobram, assim, meses de sofrimento financeiro no orçamento. Tudo isso ocorre porque o verdadeiro espírito natalino se perdeu no meio desta confusão.

Tempo de nascer. A palavra natal vem da mesma raiz da palavra latina natus,
que significa tempo de nascer. Tempo para lembrar o eterno renascer da natureza com motivação para um permanente renascer interior. Pensando neste contexto, Natal representa o início do nodo momento de amor e graça. Encarnando o Natal neste espírito, bastaria uma atitude de recolhimento. E que esta reflexão se traduza em paz interior, solidariedade para o próximo e mais respeito para com a natureza.

Aliança natalina. Fica decretado que, neste Natal, em vez de dar presentes, nos faremos presentes aos famintos, carentes e excluídos. Fica decretado que, pelo menos um dia, desligaremos toda a parafernália eletrônica, inclusive o telefone e, recolhidos à solidão, faremos uma viagem ao interior de nosso espírito, lá onde habita Aquele que, distinto de nós, funda a nossa verdadeira identidade. Entregues à meditação, fecharemos os olhos para ver melhor.
Fica decretado que as meses do Natal estarão cobertas de afeto e, dispostos a renascer com o Menino, trataremos de sepultar iras e invejas, amarguras e ambições desmedidas, para que nosso coração seja acolhedor como a manjedoura de Belém (Frei Beto).

Celebrar Natal – um convite a mudança no olhar: olhar para si - faça um momento de revisão do ano: o que foi motivo de alegria, o que foi motivo de tristeza, o que precisava ter sido melhor, o que se aprendeu com o que foi vivido? Olhar para o outro – que outras pessoas estiveram incluídas nos projetos que fizemos? Olhar para frente – que sonhos e esperanças  trazemos e queremos renovar? Como penamos em concretizá-los? Celebrar Natal – a coragem
de ser diferente! É não entrar na fúria consumista nem na idolatria materialista, para dar-se  aos outros e partilhar seu tempo e presença solidária aos abandonados e necessitados. É eliminar os aspectos pagãos dos enfeites e das celebrações, voltando para Jesus encarnando-se no coração da humanidade. Com Jesus, um Natal agraciante e Ano Novo 2012 plenificante!

Padre Beto Mayer, OMI

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