Gratidão de um neo-professo
Quero expressar toda a minha alegria cristã de pertencer a esta família religiosa...
" Formamos uma família na qual todos os membros desejam ter um só coração e uma só alma."
Santo Eugênio de Mazenod
Ao Superior Geral e seu Conselho,
E ainda devesse hoje iniciar assim:
Queridos irmãos Oblatos: Louis, Miguel, Warren, Evans, Clement, Luis, Gilberto, Cornelius e Paolo,
Muito comumente somos acostumados a escrever cartas de pedidos: pedidos de votos, de renovação de votos, de oblação perpétua, de diaconato, etc... E elas fazem parte do nosso processo formativo religioso missionário.
Hoje, porém, quero escrever uma carta de gratidão, a carta de um neo-professo nos seus primeiros dias vida em oblação perpétua, nestas terras de Santa Cruz do Brasil.
Quero expressar toda a minha alegria cristã de pertencer a esta família religiosa que fui aprendendo a amar, neste tempo de formação sempre contínua. E minha satisfação tem crescido ainda mais nestes últimos tempos, quando pude perceber, tocar e viver a experiência ainda mais forte da universalidade do carisma que abraçamos.
Era impressionante na Bolívia, no nosso retiro de preparação para os votos perpétuos, respirar o ar oblato que pairava entre nós, todos sustentados e animados pelo mesmo carisma que animava e movia Eugênio. Todos ansiosos por entregar a vida a serviço do Reino, como Missionário Oblato de Maria Imaculada, vivendo a partir da experiência de Deus, da comunidade e da missão.
Esta experiência me parecia já tão forte, mas eu não sabia da profundidade oblata que experimentaria poucos dias depois. Chegava à Espanha repleto de expectativas, com nossa pequena comitiva de 15 jovens brasileiros, para participar pela primeira vez de uma Jornada Mundial da Juventude Oblata e do encontro com o Papa Bento XVI.
Ali eu pude tocar com minhas próprias mãos aquilo do que eu já havia ouvido falar. Agora eu vi, vivi, expemimentei o que os meus lábios podem anunciar: somos missionários oblatos no mundo e para o mundo inteiro! Somos um tesouro da Igreja universal. Em Málaga, me descobri mais profundamente parte de uma família universal, um carisma derramado sobre o mundo, com tanta beleza, força e jovialidade que carrega em si a capacidade de encantar aqueles que o conhecem.
Em Málaga se dava, no meio de nós, um novo e atualizado Pentecostes. Somente Deus é a explicação capaz de justificar a comunicação entre povos tão diferentes, juventudes tão distintas e tão semelhantes. A linguagem universal do amor, em torno de Eugênio de Mazenod, ali encontrava espaço pleno de manifestação. Podíamos partilhar e experimentar mais profundamente o carisma de nossa congregação juntos aos jovens que alegremente desejavam beber das mesmas fontes onde nós nos alimentamos.
Ali se intensificou ainda mais o meu chamado de fazer parte desta família e crescia dentro de mim a vontade de responder meu “sim”, como Maria e como os Mártires Oblatos, enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé. E que sentimento se gerou em nós ao estar no lugar onde viveram os mártires oblatos da Espanha!
Confesso a imensa alegria de conhecer e o orgulho de poder chamar de “irmão” a tantos oblatos e oblatas, do mundo inteiro, de nações e línguas diversas, com roupas e hábitos de todos os tipos e cores, de jeitos tão diferentes, mas que podiam ser reconhecidos pelo jeito simples e tão próximo de ser, juntos com os jovens, e no jeito de Santo Eugênio de Mazenod. Sentia ainda mais orgulho de ser oblato naqueles dias que estivemos juntos na Espanha, desfrutando do esforço e do carinho que nossos irmãos espanhóis tiveram em preparar tudo aquilo para nós.

Encantava-me passar entre os grupos, escutá-los, sorrir junto com eles, e fazer a experiência da fraternidade universal e numa experiência profunda de ser Comunidade, onde todos tem uma valor, se respeitam, se cuidam, se amam verdadeiramente. E era surpreendente ver ali todos como iguais, o que realmente somos. Estavam juntos padres, irmãos, formandos oblatos e oblatas, Conselheiros Gerais, Superior Geral, jovens... todos tão juntos que se misturavam dentro da grande família que formamos. E foi lá que vos encontrei a muitos de vocês. Em certos momentos, nem eu sabia quem era quem. E isto não importava! E assim somos nós oblatos: entre nós não deve haver preocupação com cargos, com posições; nós somos e nos fazemos iguais aos outros, em todo tempo e lugar, por isso preferi voa saudar no início por vossos nomes.
Voltando ao Brasil, já eram as vésperas da oblação perpétua. Pouco tempo pra respirar os ares do Brasil e voltar ao idioma nativo e já estava aqui, enraizado e edificado por tudo o que havia experimentado. E isso pude testemunhar aos meus irmãos do Brasil, ao mesmo tempo em que me animava vê-los todos reunidos com seus testemunhos de vida e missão.
A nós, jovens, em início de caminho, carregados de sonhos e desejos de bem, confesso que nos é necessário e muito importante sentir a acolhida e o amor de cada um de vocês, oblatos mais experientes, testemunhos pra nossas vidas. Nos anima e nos faz muito bem, estimula a seguir acreditando nos valores da vida religiosa. Na homilia da oblação, o padre Louis Lougen nos acolhia em nome de toda a congregação e exortava todos a cuidarem de nós, se fazerem responsáveis por nós e nos amarem, a nós que acabávamos de ser recebidos como membros nesta nova família. Um discurso profundo e não tão comum que, às vezes, cai no esquecimento.
Ao longo deste ano, porém, aprendi ainda mais sobre a necessidade de amar, de amarmos uns aos outros, e de nos sentirmos amados nesta família. Por isso vos quero animar, como pessoas de Deus, colocadas por Ele na animação da nossa congregação, que sejam testemunhas vivas do Amor no meio de nós; sinais vivos do amor com que Eugênio mesmo amou a cada Oblato, em seu tempo, aquele amor que ninguém já teria igual. Cuidem-se vocês uns dos outros, animem-se, e aprenderão ainda mais a amar esta nossa família e manifestar o cuidado com cada oblato, como pessoa humana e como cristão-missionário, para ajudar-nos no caminho da santidade.
No meio de uma humanidade sufocada e ferida, de uma sociedade egoísta e individualista, acredito em nós oblatos como testemunhas de um outro mundo possível, de uma civilização do amor, onde se pode viver a fraternidade profunda, a alegria nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, na conversa e na partilha fraterna dentro da comunidade. Nós somos capazes de tudo isso. Cuidem-se, conversem, partilhem, sejam irmãos em profundidade e sem medo de precisar do outro. Assim vosso serviço se tornará mais leve e repleto de bons frutos.
Obrigado por vossa presença na Congregação. Obrigado pelo vosso testemunho e desejo de servir. Obrigado pela simplicidade do coração. Obrigado por manifestarem Eugênio ao mundo de hoje e nos ensinarem a ser como ele desejou ser. Muito obrigado, como congregação, a me receber entre vós como irmão, como uma pessoa importante nesta família oblata.
Meus irmãos, e é uma alegria para mim poder vos chamar assim, me despeço na certeza da fraternidade que nos une, na esperança de que estas simples palavras carregadas de gratidão vos anime em vossos caminhos e no vosso serviço, e sejam uma certeza de que o Espírito de Jesus Cristo e a vida de Eugênio de Mazenod segue pulsando em nossos corações. Alegremo-nos com a nossa família e tenhamos orgulho de pertencer a ela.
Um fraterno abraço. Rezo por vocês e por todos nós.
Sejam felizes, meus irmãos, no mundo inteiro!
Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo e Maria Imaculada!
Patrick Oliveira Urias, OMI
13 de setembro de 2011
Festa de São João Crisóstomo


