Temos de verdade o desejo e a coragem de nos convertermos?

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Em breve celebraremos duzentos anos desde que Santo Eugênio de Mazenod convidou alguns de seus companheiros a se unirem a ele, para “condividir” sua visão carismática de um mundo renovado pelos valores libertadores do Evangelho. Em dois séculos, mais de quatorze mil Oblatos também responderam aos seus sonhos professando a entrega total e perpétua de suas vidas. A família oblata continua representando essa visão inicial em sessenta e sete países e apesar de nos alegrarmo-nos pelas nossas conquistas, temos algumas inquietações e temores relacionados ao nosso futuro. Surge a pergunta: Por quanto tempo sobreviveremos? Uma simples pesquisa no “Google” com o termo refundação ou reestruturação apresentará centenas de congregações religiosas que estão entre a vida e a morte desejosas de sobreviver. Muitos autores dizem que, seguindo o esquema de desenvolvimento das organizações em geral, pelo menos 70% das congregações perderam sua vitalidade e morreram antes de completar o terceiro século de existência. Nossa família Oblata também desaparecerá?

O Capítulo de 2010 promete ser um dos mais importantes Capítulos Gerais na história de nossa congregação. Poderíamos colocá-lo no mesmo nível de igualdade com os que ocorreram em 1850 e 1980. Ambos respondiam a situações de mudanças fundamentais. A intuição fundadora de Santo Eugênio foi  manifestada em 1818 a um pequeno grupo de religiosos do sul da França que pregavam em resposta a revolução francesa. Em 1850, a congregação discutia como responder a um mundo no qual agora estávamos presentes em quatro continentes, continuando a ser ao mesmo tempo fiéis a Visão e ao Espírito dos primeiros tempos. Deveria também preparar um caminho para a vida oblata, agora privada da presença atenta de seu fundador. O passo se realizou com êxito e os frutos foram extraordinários.

O Capítulo de 1980 também enfrentava mudanças importantes, deveria adaptar nosso carisma, vivido já nos últimos 164 anos, a um mundo e uma Igreja em transformações radicais. Nossa resposta como Congregação começou realinhando nossa visão e o espírito de nossa Congregação, refazendo as presentes C.R. que desde então guiam claramente, nossa vida Oblata e nossa maneira de responder ao Mundo.

Por que dar tanta importância ao Capítulo de 2010? Porque deve responder para nós, ao que chamamos em nossas descrições particulares de “mundo multicultural, pluralista, globalizado, ameaçado pelo uso de armas nucleares, em conflito com o meio ambiente, pós moderno e que muda em velocidade assustadora” É o capítulo que vai nos conduzir à celebração do  bicentenário  de nossa fundação  e nos haverá de preparar as metas para o terceiro século. É o capítulo que deverá responder às numerosas perguntas que são feitas quanto ao significado da expressão do universo religioso  na vida, em um mundo que questiona e recusa a maioria dos valores culturais e religiosos que eram assumidos antes como fundamentos inquestionáveis da sociedade.

Tema do Capítulo Geral: NOVO CORAÇÃO - NOVO ESPÍRITO – NOVA MISSÃONossa resposta a esse Capítulo não pode simplesmente tomar e “reesquentar” os mesmo temas com os quais nos envolvemos no passado; igualmente não pode se limitar a encontrar novas lideranças, ou apenas reestruturar as formas de governo ou províncias, ou ainda apresentar mais um documento de síntese com o que foi dito pelos capitulares. Trata-se então de conseguir encontrar coragem de encontrar um sentido diante da situação atual, partindo da releitura com os mesmos olhares de nossa intuição fundante inicial, que nos levará para novas direções, garantindo nossa sobrevivência. O que está em jogo é demasiadamente importante para produzia apenas mudanças de fachada. É o nosso coração que deve mudar, ou então devemos todos compreender as conseqüências imediatas que estão à nossa frente e desaparecermos.

O capítulo não pode permitir-se ao luxo de se concentrar somente em mudanças estruturais das formas de governo. O que está em jogo não é a organização e sim as pessoas que compõem nossa Congregação A vida consagrada Oblata não é um sistema, são pessoas que se esforçam  para responder ao chamado de Cristo, percebida na Igreja através das necessidades de salvação neste mundo em mudanças incompreensíveis. O convite pré-capitular à conversão é fundamental e a chave de seu êxito. As possibilidades de sobrevivência de nossa Congregação dependem da seriedade com a qual cada Oblato responderá a esse chamado dinâmico a conversão pessoal e comunitária, e tenham a coragem de fazer o que for necessário, inclusive com dificuldades, para torná-lo possível.

Um chamado para a coragem de converter-se a quê?

A conversão nos chama a ter coragem de aceitar que necessitamos clarificar a compreensão de nossa identidade oblata e suas implicações assumindo pessoalmente a parte da responsabilidade que nos cabe.

Santo Eugênio compilou sua visão fundadora na primeira parte da regra de 1818, que hoje encontra sua expressão em nossa Constituição n.º 1: “Reúnem –se em comunidades apostólicas Sacerdotes e Irmãos, que se ligam a Deus pelos Votos Religiosos. Cooperando com Jesus Salvador e imitando seu exemplo, se consagram principalmente a evangelização dos pobres. “

Desta forma, segundo Santo Eugênio, temos três pilares essenciais em nossa vocação Oblata: Uma experiência fundamental de Deus, que nos permite uma relação específica com Jesus Salvador, vivida pessoalmente como geradora de uma Comunidade apostólica de religiosos, visando praticar o amor na missão aos mais pobres e abandonados. Se individualmente ou em comunidade não somos fiéis ao mesmo tempo a tudo isso, então necessitamos de conversão.

A conversão é um chamado que deve encarar a realidade atual, visando aquilatar o que foi realizado, lutando contra as inconsistências que se manifestam entre o que professamos, que são os valores fundamentais da Vida Oblata e o que realmente vivemos em nossa vida de Congregação. Alguns itens para focalizarmos seriam os seguintes:
A falta de clareza quanto a intuição inicial e a nossa identidade particular na Igreja. Qual é a diferença entre um Oblato e um Redentorista, um Lazarista, um SVD etc.? Nos convertemos em operários do Evangelho , generosos mas sem identidade, porque o carisma e a espiritualidade não conseguem afetar  significativamente nosso trabalho? A C163 nos indica claramente a direção a seguir: “As constituições e Regras declaram meios privilegiados para cada Oblato seguir nas pegadas de Cristo. Elas são Inspiradas pelo carisma vivido pelo fundador e seus primeiros companheiros, e também receberam a aprovação da Igreja. Assim, permitem a cada Oblato avaliar a qualidade de sua resposta à vocação de se tornar um santo. Infelizmente, as palavras de Santo Eugênio continuam sendo verdadeiras ainda hoje: “Nossa Regra é um livro que permanece fechado”.

O fato de que mais de 25% dos Oblatos viverem e trabalharem sozinhos, apesar de um carisma que coloca a comunidade apostólica como condição para a missão, C.37 “Realizamos nossa missão em e através das comunidades a qual pertencemos”.
O fato de nossa cultura de ser “Padres Oblatos” conduz a debilidade da vivência do papel e sentido da vida religiosa, que é sacrificada no “altar” da eficácia do ministério sacerdotal.
O fato de que algumas vezes em nossas missões podermos gastar grande quantidade de tempo e energia em pastorais de manutenção, ocupando-nos, sobretudo com alguns fiéis nas estruturas já existentes, sem nos capacitarmos para responder aos clamores de enormes grupos ao nosso redor e que não são ainda atendidos pelas estruturas da Igreja que Santo Eugênio Chamava de “os mais abandonados”                                         

A conversão nos desafia a coragem de abandonar nossa “zona de conforto”

Conversão é uma dessas palavras que surgem constantemente como desafio para vivermos o Evangelho, e que sempre nos propomos a levá-la a sério, um dia, no futuro, quando as exigências mais importantes do ministério nos permita , ou apareça uma folga. Porém, nossa sobrevivência como congregação depende da seriedade com a qual abordemos o tema AGORA, como um imperativo que deve  nos fazer abandonar as zonas de conforto seja pessoal, ou das comunidades. A conversão é um apelo para encararmos a realidade e finalmente enxergar:

Que estamos envelhecidos e doentes em muitas partes do mundo, e em alguns lugares onde somos numerosos há uma tendência de falta de perseverança. O clamor dos mais abandonados se fazem mais fortes enquanto nossas forças diminuem e esta fragilidade frustra os nossos esforços para criar respostas produzindo desalento. Então,  caímos na tentação de  nos refugiarmos na pastoral, ali onde as pessoas nos valorizam em função da qualidade de nosso trabalho, criando fronteiras mentais que nos permitem ignorara as situações com as quais nos sentimos incomodados.

Ainda que me sinta bem em minha missão atual, ou  que eu seja velho demais para mudanças,  que esteja demasiadamente ocupado com meu ministério, para perder o meu precioso tempo  fazendo introspeção, que acredite já estar respondendo as verdadeiras necessidades da  comunidade, apesar dos questionamentos..... Então já que as coisas estão bem assim, vamos viver tranqüilos, por que fazer ondas?
O que para além de minha generosidade atual devo responder aos apelos de Deus feitos através do clamor dos pobres e dos mais abandonados, assim necessito de conversão diária para sair das minhas zonas de conforto, onde atualmente me encontro devido ao pecado, ao relativismo e  consumismo atual.

A conversão supõe a coragem de enfrentar nossa fragilidade pessoal, comunitária assim como nosso fracassos.

O capítulo geral nos dará objetivos e orientações para o futuro da Congregação. Creio que apesar dos desafios, quaisquer que sejam somente terão êxitos na medida em que enfrentemos os pontos que nos fazem mal por si mesmos, nos impedindo de praticar muitos dos ideais. A revitalização  da Congregação começa com a renovação dos indivíduos e das comunidades. Cada comunidade, cada unidade Oblata sofre possui  feridas  dolorosas no universo de suas relações; feridas de longa data, existem grupos de pessoas que sequer dirigem-se a palavra, desconfianças e ferimentos não curados que apareceram em função de diferenças culturais, de idioma, de cor, idade, de pontos de vista ideológicos, e de tantas outras relações incongruentes. Tais coisas, que se  pode  encontrar em qualquer grupo humano, tornam-se verdadeiramente destrutivas quando se convertem em pandemia, reconhecida por todos mas aceita como “situações contra as quais nada se pode fazer”.

A convocação para a conversão é um chamado a ter coragem de prestar atenção sobre  a advertência de Jesus que uma “casa dividida não pode manter-se” (Luc. 11,17),  voltando  a praticar o ideal da C.37, segundo a qual “ Crescendo na unidade de coração e de mente, testemunhamos diante do mundo que Jesus vive em nosso meio e nos une para nos enviar a proclamar o Reino de Deus”. Com o poder de Jesus entre nós, será possível que “Na humildade e com o vigor da caridade, expressemos as responsabilidades uns com os outros na correção fraterna e no perdão” (C 39), enquanto rezamos e compartilhamos nosso ministério.

Num mundo que impõe a grandes gritos um rumo e uma direção, como atrever-se a pregar os valores do Evangelho de reconciliação, acolhida e aceitação mútua, enquanto nos tornamos incapazes de vivê-los entre nós mesmos e em nossas províncias? As palavras de Gandhi, são expressões da realidade do Evangelho quando dizem “Devemos experimentar em nós mesmos as transformações que desejamos ver acontecer no mundo”.

 A conversão evoca nossa coragem para explorar novos sonhos, iluminados pela intuição “fundante”.

Se de fato acreditamos na intuição de Santo Eugênio, bem como no Dom que Deus entregou à Igreja por meio dele, então hoje devemos ter a coragem de buscar novas maneiras de empreendê-lo. A confusão que se vive em muitos aspectos de nossa vida não pode deixar-nos insensíveis, inflexíveis  ou imutáveis. Todas os questionamentos evocam uma série de perguntas sobre a Vida Religiosa e a missão, seu significado e sua expressão concreta, cabe  enfrentá-las e apresentarmos nossa avaliação das mesmas.

Novo Coração - novo Espírito - nova Missão ! Essas palavras nos recordam as de Martin Luther King: Tenho um sonho”...é nesse sentido que utilizo a palavra sonho e me pergunto como o sonho do Capítulo pode interpretar  o melhor possível nossa intuição fundadora para responder ao grito das pessoas do século XXI,  cujo anseio profundo deseja essa salvação e a esperança, que apenas Jesus Cristo poderia satisfazer plenamente. Os desafios lançados pelo Capitulo deseja explorar novas maneiras de expressar o mesmo tamanho de coração, e o espírito missionário que vivemos como Oblatos há duzentos anos e nos convida a sonhar ao redor de elementos de conversão verdadeira como:

Nossa experiência inicial.

Passar da compreensão das CC. RR. como  livro jurídico para a descoberta de que encarnam o espírito de Santo Eugênio e o Carisma, sendo uma forma privilegiada para que cada Oblato possa seguir as pegadas de Jesus Cristo. O que poderia ocorrer se levássemos a sério nossas CC e RR como um guia diário para nos auxiliar viver nosso sonho?

Redescobrir  a supremacia da vida religiosa sobre nossa vocação missionária, algo que somente seria possível se tomarmos o lugar do irmão como chave de compreensão da vida oblata. Que aconteceria se tivéssemos a coragem de sonhar com os valores originais; Nosso ponto de partida não é o estado clerical, mas como irmãos Oblatos não somos chamados a proclamar a Jesus Cristo e seu Reino entre os mais abandonados? Como Oblatos, somos Irmãos Religiosos, e alguns entre nós tem a vocação de serem “irmãos” ordenados

A comunidade apostólica

Seria possível alguns momentos regulares de vida comum com os quais nos comprometemos,  na oração e na partilha de vida com importância igual a que damos para nossa vida apostólica?
Como seria se a reconciliação entre nós pudesse vir a ser a característica principal de nossa vida comunitária? Desta forma nossas feridas seriam cuidadas e compreendidas através dos olhos do Salvador, tornando-se sinais de ressurreição.

Missão

Como seria nossa missão se  refletisse nossa experiência pessoal e comunitária de Deus? Toda missão tem como origem um coração e um espírito convertido... A missão nada mais é que o convite que fazemos a outros para participar de nossa experiência fundamental de Deus , como a vivemos em nossa comunidade apostólica. Esta é a marca e deve ser o caráter específico de nossas paróquias e demais trabalhos.

A família de Mazenod

O carisma de Santo Eugênio inspirou a fundação de aproximadamente 44 congregações religiosas ou institutos seculares. Que aconteceria se estes grupos que seguem funcionando se unissem para sonhar e apresentar unidos a intuição primeira de Santo Eugênio juntos para o século XXI?

O carisma de Santo Eugênio foi entregue a toda a Igreja, sendo portanto mais extenso que nosso grupo. Que aconteceria se todos os leigos unidos e inspirados hoje por esse carisma se unissem para sonharmos juntos?
Finalmente o que seria se pudéssemos  escutar  sobretudo o sonho dos “mais abandonados”, e mais do que fazermos deles objetos de nossos projetos evangelizadores, lhes permitíssemos que nos evangelizassem e esclarecessem  a nossa forma de enfrentar a evangelização?

O QUE ACONTECERIA SE...? Tivéssemos a coragem de sonhar novos sonhos movidos por nossa intuição inicial? E se Abrão, Miosés, os escravos hebreus no Egito, João Batista, Maria, Pedro, João, Levi, Maria Madalena, Saulo e tantas outras figuras da Bíblia não tivessem coragem para assumir o sonho de     Deus em suas vidas, deixando suas “zonas de conforto” para seguirem em busca do desconhecido sustentados pela convicção que Deus lhes havia desafiado?  O que teria acontecido se...?

Séculos depois, percebemos que a conversão de Santo Eugênio lhe deu coragem para deixar seu estilo de vida como nobre em Aix e partir para o seminário, negou-se a si mesmo a comodidade do estabelecimento em uma paróquia de cidade para colocar-se rumo ao desconhecido futuro no rumo dos mais abandonados. Henri Tempier, seguiu rumo ao desconhecido em 1815, como também o foram os Oblatos que partiram para as ilhas inglesas e norte americanas em 1841, para a Ásia em 1847 e para a África em 1848. Se atreveram a viver na prática seu sonho Oblato tornando-se desbravadores  para um caminho a ser seguido por milhares de outros durante esses quase duzentos anos de história. Cruzando as fronteiras para ir onde outros não se atreveriam ir, sem saber o que lhes esperava. Prosseguir hoje cruzando as fronteiras levantadas pelos homens e que são a exploração global, as injustiças, o multiculturalismo,  e  a vida sem sentido.

Impulsionados sempre pela mesma intuição inicial: “Evangelizare pauperibus est misit me/ pauperes evangelizantur” a mesma mensagem de Boa Notícia aos pobres, liberdade aos presos, a vista aos cegos, a libertação aos oprimidos e o tempo de graça de Deus abrindo os caminhos para o Reino e seus Valores. A expansão foi feita  em sua totalidade na certeza e na fé de uma intuição entregue a nós por Deus.

O Capítulo geral solucionará todas as dificuldades  e escreverá um documento seguro que bastaria segui-lo para  garantir um futuro tranqüilo e grandioso? Certamente que não! Se as respostas fossem assim fáceis de serem encontradas não necessitaríamos debates internos, nem capítulo! O Capítulo não pode ceder a tentação de tentar se tornar uma assembléia que apresente todas as soluções.

Faz muito tempo em que minhas buscas de soluções são inspiradas e guiadas pelas palavras de R.M.Rilke na obra: Cartas a um jovem poeta; “Seja paciente com tudo que permanece não resolvido em seu coração. Procure amar suas próprias perguntas como casas  fechadas e os  livros escritos em língua estrangeira. Não busque respostas. Elas ainda não podem sem encontradas porque não está preparado para vivê-las. Trata-se de experimentar de tudo. No momento é necessário viver a pergunta. Pode ser que pouco a pouco, inclusive sem que percebas, vás encontrar no caminho a resposta, num distante dia.

Minha esperança é que o Capítulo nos auxiliará a definir as questões que temos a  necessidade de sonhar e  viver no que concerne ao percorrido desde  nossa conversão, são as perguntas de Deus, porque é seu o projeto que foi transmitido por Santo Eugênio. Deus não deseja deixar-nos cair, espera que cada Oblato, cada comunidade e província tenham o desejo verdadeiro e a coragem de se converter.

NOVO CORAÇÃO -  NOVO ESPÍRITO – NOVA MISSÃO
- somente serão possíveis na medida em que, cada um de nós acredite nos grandes desafios, que as atuais perguntas nos propõem a viver com coragem.

F. Santucci, omi
 
 

 

 

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