São Paulo: Discípulo e Missionário.

Paulo foi um grande discípulo e missionário de Jesus Cristo. Ele possui um itinerário espiritual e missionário muito rico. Muitas e diversas serão as oportunidades para lembrar e aprofundar sua mensagem, e sua dedicação a serviço das comunidades cristãs. Hoje vamos ver como ele foi discípulo e missionário.

1. O discípulo.

O que pode ser considerado como o ponto de partida de vida apostólica de Paulo é a sua conversão ou como dizem alguns especialistas, a sua vocação no caminho de Damasco.

O evento é tão importante que Lucas, no livro dos Atos dos Apóstolos, por três vezes narra o acontecimento (Atos 9, 1-19; 22, 5-16; 26, 9-18). E ainda o Apóstolo escrevera na carta aos Gálatas a sua experiência do caminho de Damasco (Gálatas 1, 12-17).

Aquele que era inimigo tornou-se discípulo (Gálatas 1, 13-14; Filipenses 3, 4-6).
Vejamos como Paulo entende ser discípulo (Filipenses 3, 5-12).

Um homem seduzido por Jesus Cristo e que entrega toda a sua vida a serviço do Mestre, nele encontra a sua força numa convicção profunda de ter sido resgatado por ele: “Ele me amou e se entregou por mim” (Gálatas 2, 20). Por isso ele vive por Cristo e em Cristo, ao ponto que não é mais ele que vive e sim o Cristo Jesus que vive nele (Gálatas 2, 20).

É a motivação que o impulsiona a pregar o Evangelho: “Anunciar o evangelho não é título de glória para mim; é antes uma necessidade que se me impõe. Aí de mim se não anunciar o Evangelho!” (1ª aos Coríntios 9, 16).

Na carta aos Filipenses. Paulo abre o seu coração. É a carta, sem dúvida, a mais íntima de Paulo. Ele revela o seu profundo laço de intimidade com o Senhor Jesus e com os seus queridos Filipenses.
Ele é consciente que leva o tesouro do Evangelho num vaso de barro, mas tem também consciência que ele é embaixador do Cristo, ministro da justiça de Deus manifestada em Cristo Jesus, ministro da reconciliação (2ª aos Coríntios 4, 7; 3, 9; 5, 18).

2. Missionário.
É do seu discipulado que nasce em Paulo a sua missionariedade. Descobriu Jesus, agora tem que anunciá-lo. Mas sempre o apóstolo enraizará a sua missão na comunidade.

A primeira viagem missionária tem a sua origem na comunidade de Antioquia (Atos 13, 1-4). Paulo que, ainda é Saulo, forma equipe junto com Barnabé e João Marcos (Atos 13, ). É a comunidade de Paulo da qual sempre partirá e para a qual sempre voltará.

Como a criança que começa a andar, assim vão os missionários: com pequenos passos, se afastam de uma pequena distância do seu lugar de partida e voltam. Já a segunda viagem é mais demorada porque vai mais longe.

È verdade que naquela época as distâncias pareciam bem maiores do que hoje. A maior parte do tempo andava-se a pé ou ainda de burro ou cavalo. E havia os perigos da estrada que o apóstolo lembra na sua 2ª carta aos Coríntios (11,23-27).

Nestas viagens, o apóstolo funda comunidades, pelas quais tem muita atenção e dedicação. Alias é este cuidado que o leva a propor para Barnabé uma segunda viagem missionária: “Voltemos a visitar os irmãos para todas as cidades onde anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão” (Atos 15, 36). Não é sem razão que ele é chamado o Apóstolo dos Gentios (dos pagãos). Ele percorreu o mundo do Império romano todo. Ele até se queixa que não tem mais espaço para ele proclamar a Boa Nova lá onde ela não foi anunciada:
‘“Desde Jerusalém e até a Ilíria, eu levei a termo o anúncio do Evangelho de Cristo, fazendo questão de anunciar o Evangelho lá onde o nome de Cristo ainda não era conhecido para não construir sobre alicerces lançados por outros” (Romanos 15, 19-20). Por isso ele pretende chegar até Roma e ser encaminhado pela comunidade cristã para a Espanha, fim do mundo daquela época: “Irei quando for para a Espanha. Espero ver-vos na minha passagem e ser por vós encaminhado por lá” (Romanos 15, 24). Temos numa carta escrita por São Clemente de Roma uma alusão a esta viagem quando o escritor fala de Paulo, “este grande apóstolo que foi até as extremidades da terra”.

Fundando muitas comunidades ele guarda sempre a preocupação por cada uma delas: “minha preocupação cotidiana, a solicitude que tenho por todas as Igrejas. Quem fraqueja sem que eu também me sinta fraco? Quem cai, sem que eu também me abrase” (2ª aos Coríntios 12, 29-30).

Por causa da missão quanto Paulo não sofreu fisicamente, mas também psicologicamente ou espiritualmente. Basta reler na 2ª carta aos Coríntios o capítulo 12, versículos 23 a 27.

Sua força está em Cristo Jesus que vive com ele, alias que vive nele: “Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gálatas 2, 20). Assim Paulo fez a síntese de sua vida: discípulo e missionário, ou melhor, dizendo discípulo-missionário. Sua missão é integrada à sua vida e tudo se torna culto, celebração em honra do Senhor: “Deus a quem presto um culto espiritual, anunciando o Evangelho do seu Filho...” (Romanos 1, 9). “A graça que me foi concedida por Deus de ser o ministro de Cristo Jesus para os gentios, a serviço do Evangelho de Deus, a fim de que a oblação dos gentios se torne agradável, santificada pelo Espírito Santo” (Romanos 15, 16).

Por isso no fim de sua vida ele pode declarar como nos lembra a 2ª carta a Timóteo: “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. Desde já me está reservada a coroa da justiça que me dará o Senhor, justo juiz, naquele dia” (2ª Timóteo 4, 7-8).

 

 

 

 

Possamos como São Paulo nos entusiasmar pela missão, e assim sermos discípulos (as) e missionários (as).

 

 

 

 

 

 

 

 

Pe. Francisco Rubeaux, OMI

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