Uma Profunda Conversão pessoal e comunitária: Nossa Missão Oblata.

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O nosso Superior Geral Pe. Louis Lougen, escreveu a seguinte meditação para um recente encontro dez
jovens em formação permanente, Oblatos europeus, com até quinze anos de ministério:



Em nosso documento final do Capítulo sobre “Conversão” há uma pergunta que vem a partir do relatório do Superior Geral ao 35º capítulo: Discerniremos hoje a Vontade de Deus sobre nossa missão de evangelizar como congregação ao todos os pobres simplesmente por inércia, continuando a fazer o que sempre fizemos?
Esta questão que poderia ser esquecida ou passada pelo alto, deve chamar nossa atenção a luz de uma profunda conversão a Jesus, para a qual fomos chamados. Vou apresentar cinco desafios ainda que não na ordem: discernirmos a Vontade de Deus:
- Desde nossa missão congregacional?
- Desde a evangelização dos pobres?
- Da manutenção de nossa inércia?
- Do que nos acostumamos anteriormente?

1- Estamos inertes ? Aqui temos uma definição de inércia : “Uma tendência para fazer nada ou a permanecer sem mudar”: Inércia burocrática! Que palavra terrível. Exatamente oposta ao zelo de nosso fundador e contraditória ao Evangelho, significando que não continuamos inflamados com a vida divina, com o Evangelho, com a paixão de formar comunidades dentro da Igreja. Inércia significa morte. Será esta nossa realidade hoje? Qual é o antídoto contra a inércia? - (Joel 3,1) –“ será que não sonhamos nossos sonhos, tampouco temos visões?” ou Luc 4,16 – “Já não bebemos da fonte do Espírito que nos ungiu?” ou cf. 2 Tim 1,6 “ Te relembro, avivas a chama do dom que recebestes!”

A missão é de Deus. Como missionários estamos simplesmente chamados e enviados em uma parceria de entrega de vida com um Deus apaixonado. Talvez tenhamos sido empurrados para a inércia por sentirmo-nos sobrepassados pela realidade dos pobres de hoje, a força dos meios de comunicação sobre a sociedade, a sedução da globalização tecnológica, ou ainda pela indiferença e os antagonismos em relação à religião, Igreja e Deus em todas as sociedades. Precisamos reacender as brasas de nossa fé nas pequenas coisas e com o poder do Deus que derrubou Golias e as muralhas de Jericó. Nossa fé nos faz ver o efeito do pequeno grão de mostarda, o fermento na massa e o poder da cruz! Acreditamos?

2- Estamos simplesmente fazendo o que nos acostumamos a fazer? De maneira nenhuma isso é missão. Aqui não há visão, paixão energia ou imaginação. Um missionário deve estar em permanente diálogo com Deus, com os outros e com a realidade. Ele responde às necessidades porém não impulsivamente, sem reflexão ou discernimento. O coração de Santo Eugênio abraçava os pobres e onde estivessem suas necessidades começou a atuar e organizar uma resposta. Seu coração pertencia a Deus e por isso pertencia aos pobres, os que sofrem, e os necessitados. Seu coração prosseguiu dando-se a si mesmo aos seus Oblatos, sua Diocese e ao seu povo.

Somos chamados a uma profunda conversão, abandonando os velhos modelos e criando novas respostas às novas situações dos pobres. Estando em contato com Deus e através de uma relação viva com Ele, temos forças como missionários, chamados , enviados e movidos a inflamarmos profundamente a fim de fazermos ações missionárias mais comprometidas com amor e com coragem. Isso nada tem a ver com a mesma e velha rotina. Pensemos no chamado de Abrão, Moisés, Jeremias, Isaías, Maria. Como podemos abandonar o conhecido e o familiar e como atravessar as fronteiras, tal como os capítulos anteriores nos convidaram?

3- Discernimos a Vontade de Deus? Cremos em um Deus vivo e estamos em relação com Ele, então devemos escutá-Lo em suas orientações, permitindo que chegue a nós seus chamados, pessoais e comunitariamente. O valioso dom do Espírito nos capacita para retrocedermos e perguntarmos a nós mesmos sobre que estamos fazendo, avaliar nossas ações e perguntar em oração a Ele “Senhor que queres que eu faça?”

O chamado profundo a conversão do capítulo de 2010, é um chamado do Espírito para nos convertermos em homens de discernimento, em constante diálogo com Deus, escutando em comunidades e como indivíduos, para descobrir a missão de Deus e como poderemos cooperar com ele sendo missionários por Ele.

Um perigo é acreditar que isso já está feito, e que conhecemos a vontade de Deus sem um duro trabalho de oração, reflexão, estudos e discussão. É trabalhoso, porém uma fonte de alegria para estar em diálogo verdadeiro com Deus nos permitindo sermos guiados em seus caminhos. Uma tentação comum é acreditar que estamos fazendo a vontade de Deus apenas porque estamos fazendo um bom trabalho, com muitas ações religiosas. Perdemos o sentido da missão quando fazemos as mesmas coisas por muitos anos porque gostamos, porque o povo nos quer bem, porque funciona etc.

4 - A missão da Congregação: As nossas constituições e Regras nos dão a grande visão missionária de Santo Eugênio em palavras contemporâneas.

Temos diretrizes gerais que nos dão uma orientação e uma referência para evangelizar aos pobres. Cada Província, Delegação ou Missão precisa ser uma comunidade que discerne que dedica tempo para escutarem juntos a voz de deis que continua falando nas Escrituras e pelas nossas C&R, assim como através da Igreja local e na realidade dos pobres. Quando escutamos essas vozes com atitude orante, estamos permitindo a Deus que nos guie para que sejamos participantes em sua missão. Juntos com a Luz do Espírito uma província de Oblatos faz um projeto com suas prioridades através da escuta, da oração, da discussão entre todos os seus componentes.

Cada um se compromete a permanecer disponível para o projeto comum entrando em diálogo com os seus superiores para discernir como poderá servir melhor. O voto de obediência vivido com generosa disponibilidade faz então daquele religioso um missionário. A missão da Congregação é extremamente desafiante, e absolutamente necessária, seu êxito, em termos evangélicos, dependerá de ser devidamente planejada, e vivida na e com uma comunidade.

5- Para Evangelizar os Pobres: O objetivo maior de nossas vidas é evangelizar os pobres e crescer em santidade. Quem são hoje os pobres que ainda estão abandonados? A quem somos chamados a servir nesse contexto? A coragem para estar em diálogo de discernimento com Deus e depois a liberdade e o impulso positivo de deixar o que é conhecido e familiar haverá de nos levar àqueles que Ele quer que sirvamos hoje.

Deparamos-nos com novas formas de pobreza e os muitos rostos dos pobres nos questionam. Devemos discernir prioridades então evangelizaremos através de pequenas ações evangélicas em favor deles. Estou convencido que tal evangelização se faz em e através de testemunho de uma comunidade que discerne. Evangelizar aos pobres requer uma comunidade oblata que cultiva e vive sua relação com Deus, uma vida partilhada em comum marcada pela simplicidade e o compromisso de rezar, escutar e discernir.
Esta comunidade apostólica é a Luz de Cristo que ilumina as trevas, uma brilhante proclamação do Evangelho que evangeliza e chama aos demais para o seguimento de Jesus. Para Participar da Missão de Deus de evangelizar aos pobres, nós mesmos devemos empreender um processo contínuo de profunda conversão. Uma comunidade de missionários que dá testemunho por sua vida que em Deus temos tudo (ainda que em vasilhas de barro) e que irradia o poder da vida/amor de Deus, irresistivelmente evangeliza e atrai os pobres à graça de Deus.


Informativo OMI – nº 513 - Julho/agosto/2011

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