Santo Eugênio de Mazenod

 
Carlos José de Mazenod nasceu na cidade de Aix de Provença, na França, no dia 1 de agosto de 1782, no seio de uma família de juristas. Conheceu o sofrimento e o exílio na Itália durante a Revolução francesa, e mais tarde, dura provas familiares. De volta o seu país com a idade de 20 anos, toma consciência da desolação de Igreja, da pobreza espiritual do clero e da grande ignorância religiosa nos ambientes populares.

Dotado de caráter vivo e dominante dos provençais, animado por anseios generosos, decide colocar-se a disposição para responder às necessidades urgentes da Igreja. Em 1808, ingressa no Seminário de São Sulpício de Paris e é ordenado sacerdote, em Amiens, no dia 21 de dezembro de 1811. Quer ser 'o servidor e o sacerdote dos pobres'.
Inicia seu ministério sacerdotal, em Aix, no meio do povo humilde, da juventude e dos prisioneiros. Porém, frente a esta imensa tarefa, logo se dá conta de que é necessário reunir em torno de si, um grupo de sacerdotes zelosos, sobretudo para despertar a fé que estava por desaparecer no coração de muitos'. Estes foram, em 25 de janeiro de 1816, os começos da Sociedade dos Missionários de Provença.
O padre de Mazenod impulsionou seus companheiros à 'viver juntos como irmãos e 'a imitar as virtudes e os exemplos de Jesus Cristo, nosso Salvador, consagrando, sobretudo para pregar a palavra de Deus aos pobres'.

Depois, ele os estimulou a comprometer definitivamente na obra das missões consagrando-se com os votos religiosos. Devido seu reduzido número e às necessidades urgentes dos pobres ao seu redor, tinha que limitar seu zelo aos pobres dos núcleos rurais do território, seu anseio devia' abraçar, em santos desejos, a vasta extensão da terra', escrevia em 1818.

A pequena Sociedade receberá a aprovação romana do Papa leão XII, em 17 de fevereiro de 1826 e se chamará, daí para frente, a Congregação dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada.

Seu lema expressa seu carisma e assinala o caminho a seguir: 'Enviou-me para evangelizar aos pobres.
Eugênio de Mazenod, alem da responsabilidade de sua sociedade de missionários, teve que assumir também a da Igreja diocesana de Marselha. Esta importante sede de Provença havia sido restabelecida em 1823, e o tio de Eugênio, Monsenhor Carlos Fortunato de Mazenod, apesar de sua avançada idade, havia sido nomeado o novo bispo. Este, por sua vez, pediu ajuda a seu sobrinho, nomeando-o, de principio, Vigário Geral. Alguns anos depois, em 1832, seria ordenado bispo e sucederia a seu tio em 1837. Como pastor desta Igreja em plena evolução, Eugênio se interessa por todos e cada um. Multiplicando as paróquias, as associações, os movimentos; acolhe institutos religiosos que querem se estabelecer ali e anima a fundação de muitos outros; favorece as manifestações públicas de devoção; estimula a ajuda aos jovens, aos operários, aos imigrantes, a toda classe de excluídos. Empreende a construção de uma nova catedral próxima ao porto e, na parte mais alta da cidade, a construção da basílica da Nossa Senhora da Guarda, a 'Boa Mãe' tão querida dos marselhenses. Ver-se implicado nos grandes problemas políticos e pastorais de seu tempo. Mantêm relações freqüentes com a Santa Sede e sua adesão ao Papa, de modo particular, durante os anos do 'Renascimento', será total e infalível. Participará com gozo transbordante na definição do dogma da Imaculada Conceição em 8 de dezembro de 1854.

Ao mesmo tempo, Santo Eugênio continua sendo o superior geral de sua Congregação religiosa. Desde Provença, em 1834, os missionários haviam crescido na Córsega. Porém, é, sobretudo a partir de 1841, quando a pequena Sociedade empreende um vôo importante. Embora sendo limitado ainda o número de seus efetivos, Santo Eugênio responde a fé aos chamados do estrangeiro: do Canadá (1841) onde, em poucos anos, verá seus filhos introduzir-se nas vastas planícies do Oeste e chegar até o círculo polar, da Inglaterra (1842) e Irlanda (1855); Estados Unidos e do Ceilão, hoje Sri Lanka (1847); África do Sul (1851). Mantêm com seus missionários uma correspondência constante, revela-se como pastor que se interessa por tudo, um homem verdadeiramente apostólico que anima, aconselha, corrige e sustenta. Possui, acima de tudo, um sentido profundo da paternidade espiritual e vive intensamente em união com seus filhos, que fazem missão longe, em meio de dificuldades diversas e muito graves.

Embora, nunca tenha ultrapassado às fronteiras da Europa, Eugênio leva um coração o zelo por todas as Igrejas. Pouco antes de morrer, em 21 de maio de 1861, fiel a seu temperamento, o velho bispo doente dirá aos que os cercam: "se adormeço ou pioro, desperta-me, eu os rogo, quero morrer sabendo que morro!" e aos Oblatos lhes deixará com última vontade este testamento que é resumo de sua vida: "Entre vós, praticai a caridade, a caridade, a caridade; e fora o zelo pela salvação das almas". Santo Eugênio dormiu no Senhor, no domingo de Pentecostes enquanto se entoava a Salve Rainha, última saudação na terra para aquela que ele considerava "a Mãe da Missão".


Seu Itinerário Espiritual

Na formação espiritual de Eugênio de Mazenod se destacam algumas influências particulares. Em primeiro lugar, durante o exílio em Veneza (1794-1797), ficou marcado por um sacerdote da Companhia de Jesus, Dom Bartolo Zinelli. Aprenderá dele a prática da oração e dos sacramentos, a mortificação, a devoção da Virgem Maria "Dali nasceu minha vocação", escreverá mais tarde.
Duas graças interiores transformarão este jovem de aproximadamente 20 anos. A primeira, uma graça de conversão que se deu ao adorar a Cruz na sexta-feira na Santa de 1807, uma experiência pessoal do amor de Cristo que derramou seu sangue por ele, um sentimento de profunda confiança na misericórdia divina e o desejo de reparação pelo dom completo de si mesmo a Jesus salvador. A segunda graça que ele denomina uma "comoção estranha" é uma verdadeira moção do espírito que levou a decisão e a orientação rumo, ao sacerdote.

De 1807 a 1812, Eugênio de Mazenod terá como guias espirituais os sacerdotes Emery e Duclaux, fieis discípulo de Jean-Jacques Olier. No seminário Santo Sulpício reina o espírito de fervor, de regularidade ao trabalho. Aí se aprende a querer ao Papa, prisioneiro de Napoleão em Fontainbleau. Eugênio toma parte nas atividades da Congregação Mariana e de um grupo missionário fundado por seu amigo e colega Carlos de Forbin-Janson. Apóia-se no desejo de ser sacerdote, porém, sacerdote dos pobres, há sempre nele um desejo de reparação: Por seus próprios pecados e pelos pecados de numerosos cristãos que abandonaram a Igreja. Quer, sobretudo, cooperar com Cristo na obra da redenção do mundo: que o sangue de Cristo, que não foi inútil para ele, não seja também para os outros.

Em setembro de 1815, sob os impulsos de uma nova "comoção estranha", dedicou-se pelo caminho da ação apostólica. Entrega-se de corpo e alma a realização de seu projeto de sociedade missionária. Mais tarde, devido o êxito de suas gestões, irá atrás de obter a aprovação pontifícia da obra que Deus lhe havia confiado.
O Senhor o esperará aí. Em uma noite, em um tempo de profunda purificação acontecerá neste período gozoso e cheio de promessa. De 1827 a 1836 acontecem às provas: divisões, deserções, mortes, perdas temporais de cidadania francesa e inclusive receios da Santa Sé. O efeito imediato, além de uma enfermidade pessoal seria momentos de desalentos e depressão. Eugênio experimenta na própria carne o preço de entregar-se ao Senhor e de servi à Igreja. Sentir-se-á profundamente ferido por ele, porém, sairá daí mais humilde, compreensivo, fortalecido em seu amor e em sua fé.

Durante o período de seu episcopado em Marselha, Eugênio se encontra em plena maturidade espiritual. Pastor incansável, cheio de zelo, solidamente enraizado em seu amor a Cristo e a Igreja, não pensa em si mesmo, senão em todas as pessoas que têm sob sua responsabilidade e na obra da evangelização que lhe foi confiada, em Marselha e no mundo. Durante todo seu ministério, continuará sendo um homem de oração. Extraem, de modo muito particular, da Eucaristia a inspiração e o sustento de sua vida de sacerdote que se oferece e que se imola para a vida do mundo. Gostava de celebrar a missa diariamente inclusive a custa de grandes privações, sobre tudo quando viajava. Passa longo tempo em adoração diante do Santíssimo, inclusive nas visitas pastorais por sua diocese. Lugar privilegiado para identificação com Cristo, a eucaristia é também, para Santo Eugênio, o ponto de encontro com seus amigos, com os membros de sua família religiosa, "o encontro vivo que lhe serve de comunhão". Pensa muito em seus filhos, sobretudo nos que estão em missão longe dele; recomenda-lhe que façam o mesmo. "Ao identificar-nos, cada um de nós, com Jesus Cristo, não seremos mais que um nele e por ele e nele não será mais que um em nós".

A principal síntese de vida espiritual que Santo Eugênio escreveu, é o livro das Constituições e Regras de seu Instituto, uma espécie de manual de ação missionária e de vida religiosa apostólica. A partir de sua experiência pessoal e da conscientização acerca das necessidades religiosas de sua época, o Fundador dos Oblatos soube utilizar números elementos de vida espiritual que lhe ofereciam.

Retirou-os de seus mestres sulpicianos e jesuítas, e também dos grandes missionários que admirava como, por exemplo: Carlos Borromeu, Vicente de Paulo, Afonso Maria de Ligório. A esses elementos infundiu uma nova inspiração, um espírito particular que se caracteriza por sua radicalidade evangélica e pelo ardor que o anima. "O espírito de total abnegação pela glória de Deus, o serviço a Igreja e a salvação das almas, é o espírito próprio de nossa Congregação", já os escrevia em 1817. Em 1830, continuará afirmando que há de se considerar "como os servidores do pai da família encarregados de socorrer, ajudar e atrair novamente seus filhos mediante o trabalho mais constante, em meio a tribulações, perseguições de toda classe, sem esperar outra recompensa, senão aquela que fora prometida pelo Senhor aos servidores fiéis que cumprem dignamente sua missão.

Santo Eugênio buscou durante toda sua vida, como sacerdote, como missionário e bispo, anunciar aos pobres "quem é Jesus Cristo". Paulo VI disse que ele havia sido um apaixonado por Jesus Cristo e nutria um amor incondicional pela Igreja. No dia de sua canonização, 3 de dezembro de 1995, João Paulo II o apresentou como um homem do Advento que abre aos caminhos do Senhor, cuja nova vinda espera confiadamente a humanidade.


Pe. Francisco Rubeaux, OMI
Santo Eugênio Fala Contigo

Escutar é a capacidade de acolher a quem fala. Eugênio, com a grande paixão que ele tinha pelo Crucificado, deseja falar com você. As palavras do fundador não deverão ser lidas com pressa, pois assim não seria um escutar.
Cada frase é uma partilha do coração de Eugênio baseada na sua oração e sua entrega generosa para com os mais abandonados. Cada mensagem ajudará a conhecer a grande herança que ele nos deixou. Hoje, ele deseja ainda mais nos acompanhar com suas palavras.

 
Oração Para Cada Dia

Deus nosso Pai, nós te damos graças por ter chamado Eugênio De Mazenod a seguir o Cristo salvador e evangelizador. Tendo um grande amor pelo teu filho, Jesus, e partícipe de sua compaixão pela humanidade, se pôs incondicionalmente a serviço de vossa igreja para evangelizar os pobres, enviando missionários para todas as partes do mundo.
Concedei-nos, pela sua intercessão, arder com um amor vivo a Cristo, que nos estimule para a santidade e a missão. Ensinai-nos a construir comunidades que sejam sinais de vosso amor totalmente entregues à evangelização.
Que Maria Imaculada seja para nós mãe e guia em acolher o Cristo e em fazer que Ele seja conhecido pelo mundo, do qual Ele é o Salvador. Amém.
 
Cristo

Minha ocupação principal será amá-lo;
minha preocupação maior: fazer que Ele seja amado.
Empregarei para isto todos os meios, todo o meu tempo, todas as minhas forças.
(1812: Regulamento de Vida)
Quem deseja ser um conosco deverá estar inflamado com o amor por
Nosso Senhor Jesus Cristo e pela sua igreja,
assim, servir somente a Deus e a sua igreja. (9-10-1815)
Em nossa sociedade, Nosso Fundador é Jesus Cristo, o Filho de Deus. Seus primeiros padres, os Apóstolos. (1818)
Os missionários devem, enquanto a fragilidade humana permitir, imitar em tudo os exemplos de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Fundador primaz da Sociedade e dos Apóstolos, nossos primeiros padres. (1818)
Pregar, como um Apóstolo, a Jesus Cristo,  e este crucificado. (1826)...na imitação de um Apóstolo,
gloriar-se-ão nas fraquezas e nas injúrias, nas perseguições e nas angustias sofridas por Cristo. (1826)
Nossa humilde Sociedade não reconhece outro fundador senão Jesus Cristo...nem outros padres senão os Apóstolos.
(1-11-1831: para os noviços

Igreja

Aquele que não esta com Pedro se extravia. (Quando jovem)
Não sinta inveja, minha mãe querida, desta pobre igreja dolorosamente abandonada, depreciada, pisoteada, e que, apesar de tudo, amamentou a nós todos, em Jesus Cristo. (11-10-1809: para sua mãe)
Eis-me aqui como pastor de uma diocese.
Será necessário que minha existência, minha vida, e todo o meu ser lhe sejam consagrados...
Será valioso que eu me consuma por Ele;
disposto a me sacrificar por Ele minhas comodidades,
meu atrativo, o descanso e até a própria vida.
(Retiro 1837: antes se assumir a diocese de Marselha)
Como seria possível separar o nosso amor por Jesus Cristo pelo que devemos a sua Igreja? Estes dois se intercalam: amar a Igreja é amar a Jesus Cristo.
(16-2-1869:Pastoral)
A Santa Sé esteve, durante toda minha vida, em primeiro lugar no meu constante afeto pela Igreja.
(1860:para o Papa Pio IX)
 
Bondade de Deus


Deus tem me suportado,
esqueceu dos ultrajes sangrentos que eu fiz.
Sempre fiel, abriu para mim seu coração amoroso.
(retiro 1811)
É assim que meu bom Deus repara toda a minha ingratidão:
Ele me faz todo bem a toda hora.
Depois de tudo isto, como posso ofendê-lo,
antes morrer mil vezes! (21-12-1811: para o Sr DuClaux)
A idéia do inferno jamais foi necessária
para que eu me aproximasse de Deus. (21-12-1811)
Eu não entendo a linguagem de terror.
O amor, somente o amor, me anima. (21-12-1811)

Deus me favoreceu, pois o amo como se fosse de instinto. (retiro:1811)

Esse Príncipe generoso mal esperava para salvar-me;
me tirou do desfiladeiro
no momento em que eu menos pensava Nele,
e, atando-me, mais com os laços do seu amor,
que com os de sua justiça, me devolveu a seu lado. (retiro 1814)
Só Deus – Santidade
É preciso que nós mesmos sejamos santos de verdade.
(13-12-1815:para o P. Tempier)
Em nome de Deus sejamos santos!
(18-2-1826:para o P.Tempier)
Que seja bem claro para todos:
É preciso ser santo para cumprir a grande obra
que Deus nos confiou na sua misericórdia.
(8-2-1858: para o P. C.Aubert)
Rezo todos os dias a Deus
para que sua graça os guarde a todos
na mais perfeita santidade.
De outro modo, não daria para compreender
a vida de sublime abnegação de nossos missionários.
(17-4-1860: para o P. Vegreville)

 

Eucaristia


Que nos encontremos sempre
no coração de nosso amado Mestre,
porém sobre tudo, participemos com frequência
do seu Corpo amado;
é a melhor maneira de reunirmos,
porque ao identificarmo-nos cada um com Cristo Jesus,
seremos um só com Ele, por Ele e Nele,
e seremos um só entre nós. (Natal 1808: ara a sua mãe)

O encontro, no mesmo instante,
na presença de Nosso Senhor,
é o único meio de encurtar distâncias.
É encontrar-se, pode se dizer, um com o outro,.
Não se vê, mas se sente, se percebe
que nos unimos no mesmo centro.
(10-1-1852: para o P. L´Hermitte)
É, realmente, um grande consolo ter um centro comum
para nos encontrarmos cada dia.
Que ponto gostoso de encontro é este altar
onde se oferece a Santa Vítima,
este Sacrário ao qual, cada dia, nos acolhemos para adorar
a Jesus Cristo e a conversar com Ele
de tudo que nos interessar. (25-3-1857: para o P. Vegreville)

Na Eucaristia, Jesus Cristo
está no trono do seu amor e no altar do sacrifício.
Sua infinita bondade para com os homens,
o aprisiona perpetuamente.
É, como dizer, prisioneiro do seu imenso amor.
(21-12-1859: carta pastoral)

 

Os mais Abandonados


Tenhamos preferência para os mais abandonados.
(10-9-1852: para o P. Merlin)
Evangelizar os pobres.
Isto é o mais importante. E, além disso, esta mais de acordo com a nossa vocação e com a Congregação que se fundou para este ministério. (16-8-1853: para o P. Baret)

Dediquem-se aos pobres.
Vocês têm a graça para isto.
(Fevereiro 1854: para o Mons. Dupanloup)

Nossos missionários são chamados
para evangelizar os pobres
e para trabalhar pela salvação das pessoas mais abandonadas. Cada um responde de acordo com seu dom.
(24-10-1855: para o Mons. Buissas)
Somos feitos para os pobres...
Temos um carisma especial para fazer-lhes algum bem.
(15-2-1860: para o P. Arnoux)

 

Pobres trabalhadores, quem são vocês perante o mundo?
Uma classe de gente dedicada a passar sua vida
no exercício penoso de um trabalho obscuro,
que os coloca em situação de dependência...

 

Serventes, o que são vocês para o mundo?
Uma classe de gente, escrava de quem lhes paga,
expostos ao desprezo, à injustiça..aos maus tratos de chefes exigentes,brutais às vezes...

 

E vocês, lavradores, o que são vocês para o mundo?
Por mais que sejam úteis seus esforços, são valorizados só pela força de seus braços...Que vai acontecer com vocês, pobres, mendigos...? O mundo os vê como o refugo da sociedade, pobres de Jesus Cristo,aflitos, desprezados,
enfermos, cobertos de chagas, vocês todos, dobrados pela miséria, meus irmãos,meus respeitáveis irmãos, escutai-me!


Vocês são filhos de Deus, os irmãos de Jesus Cristo,
os co-herdeiros de seu Reino eterno. A parcela escolhida de sua herança; vocês são a nação santa, vocês são reis,são sacerdotes, são, em certa maneira, deuses.

(1º Domingo de Quaresma: 1813: sermão na igreja da Madalena)
Eu estou convencido que tenho sido chamado por Deus
para ser o servidor e o sacerdote dos pobres,
e desejo dedicar minha vida a Seu serviço.
(4º Domingo de Quaresma 1813)

O povo do campo,sobre tudo onde faltam sacerdotes,
e os trabalhadores das cidades, são especialmente o objeto do zelo dos Oblatos..
(25-8-1859; para o P. Talabot)
 
Maria
Oblatos de Maria Imaculada!

É mesmo que um diploma para o céu!
Este nome agrada ao coração e ao ouvido.
(22-12-1825: para o P. Tempier)
Não te parece que é um signo de predestinação
levar o nome de Oblatos de Maria,isto é, consagrados a Deus na proteção de Maria cujo nome leva a Congregação como um nome de família,em comunhão com a Santíssima e Imaculada Mãe de Deus? É para se ter muito orgulho!
(20-3-1826: para o P. Tempier)
Honramos o Filho na pessoa da Mãe.
E vejam porque é impossível para nós exagerar em nossas homenagens à Maria,reconhecendo-a como criatura, que ela é, porque é sempre Deus o fim supremo destas homenagens.
(8-7-1849:Pastoral)

 

 
Comunidade

Entre nós, os missionários, somos o que devemos ser,
isto é dizer que não temos mais que um coração,
uma alma e um pensamento. (24-2-1816: para o P. Tempier)

Formamos uma família na qual todos os membros
não querem ter mais que um coração e uma alma. (20-1-1823: para o Irmão Guibert)

A caridade em relação ao próximo também é parte essencial de nosso espírito. A praticamos primeiro entre nós, amando-nos como irmãos, alegrando-nos das virtudes, dos talentos e outras qualidades que nossos irmãos possuem, como se os possuíssemos nós mesmos,
agüentando com paciência os pequenos defeitos
que alguns ainda não têm superado,
cobrindo-os com o manto da caridade mais sincera.
(29-7-1830: para o P. Guibert)

Quero recalcar, mais uma vez, que os nossos Padres não devem ser enviados, sozinhos, para as missões. (1-3-1844: para o P. Honorat)

Não posso consentir que uma pessoa viva isolada,
sem ter um companheiro, pelo menos.
(25-1-1848: para o P. Semeria)

É o desejo de sua Regra de que vivam em comunidade,
orientando que vão sempre de dois em dois.
(20-2-1848: para o Mons. Buissas)

 

Não nos esqueçamos

que os membros da nossa Sociedade
se alegrem em viver em comunidade. (26-9-1848: para Mons. Guiges)

Apostolado

Nos esforcemos em persuadir os homens
a serem razoáveis; depois,cristãos;
finalmente, ajudar-lhes a serem santos.
(Diretório da missa 1818)
Que os missionários acolham sempre as pessoas necessitadas com caridade inesgotável;
que as animem... Mostrando-lhes um coração compassivo. (1818 e 1826)

Quem queira ser um conosco,
que esteja inflamado com a ideia da própria perfeição,
estar inflamado no amor por Nosso Senhor Jesus Cristo
e sua Igreja e com um zelo ardente
pela salvação de todos. (1833)

Vincens, sozinho nada pode fazer;
Vincens e Deus podem fazer tudo.
(17-7-1841: para o P. Vincens)

É preciso que saibam que o seu ministério
é uma extensão do ministério apostólico e que se trata nada menos que de fazer milagres...
que se apressem para se tornarem santos.
(2-12-1854: para o P. Mouchette, Escolasticado)
 
 
Resposta ao Amor
Que me batam que me cortem que me forcem
a querer somente aquilo que Ele quer!
(Setembro 1807: para seu amigo Manuel Gaultier)

Meu Deus, duplica, triplica, centuplica minhas forças,
para que eu te ame não só enquanto eu seja capaz de amar-te que isso é nada senão que te ame tanto como te amam os santos, como te amou e te ama tua Santíssima Mãe.
Isso porém, meu Deus, não é o bastante.
Por quê não querer amar-te tanto quanto Tu te amas a ti mesmo? É impossível, eu sei;
mas não é impossível desejá-lo...
Sim, meu Deus, eu desejo amar-te
tanto quanto Tu ti amas a ti mesmo.
(1811: retiro de ordenação)

 

Valentia
Audácia
Inventiva


Queremos escolher homens
que tenham a vontade e a valentia
de seguir os rastros dos Apóstolos.
(15-11-1815: para o P. Tempier)
 
O que devem fazer os homens que desejam
seguir os rastros de Jesus Cristo?
Se dispuserem a trabalhar seriamente em serem santos... renunciar-se completamente a si mesmos...
ardendo de zelo, dispostos a sacrificar
bens, talentos, descanso, a própria vida
por amor a Jesus Cristo, o serviço da Igreja
e santificação dos irmãos...
Logo, com firme confiança em Deus,
entrar na lida e lutar corajosamente
pela maior glória de seu nome santíssimo e adorado.
(1818: Prefácio das Regras)
A caridade abrange tudo. Ante novas necessidades ela inventa, quando precisa, meios novos.
(7-2-1847: Pastoral)
Eu não quero mechas que não dêem chama
nesta sociedade. Eu quero que ardam,
que dêem calor, que iluminem ou,
no caso contrario, que se vão. (Diário, 19 de julho de 1846)


Coração que ama
Nunca tenho causado voluntariamente dano a ninguém,
nem sequer aos que me têm feito um grande mal.
(28-19-1833: para o P. Tempier)

Se as manhãs como a de hoje e muitas mais
tivessem que se repartir com freqüência,
vejo que seria impossível aguentar.
Dar esmola é de menos; mas vendo-me incapaz,
fazendo mais do que posso de remediar suas necessidades,
é algo superior para minhas forças...
É algo que me esgota! Depois de tudo isto,
senta na mesa e come, se puderes!
Dir-te-ei que não tenho serventes na Congregação.
Só tenho filhos muito amados que ocupam o primeiro lugar no meu coração.
(17-1-1851: para o P. Lavigne)

Minha grande debilidade é de amar apaixonadamente
os filhos que o bom Deus me deu.
Não há amor de mãe que o possa igualar.
(17-1-1851: para o P. Baret)

Neste mundo, não pode existir uma criatura
à qual Deus tenha concedido a graça de amar
a tão grande número de pessoas, tão tenra, tão forte, tão constantemente... Nenhum de vocês
poderia ser amado mais que eu o amo. Eu amo a cada um
como se fosse o único amado. (10-1-1852: para o P. Dassy)

Deus me destinou para ser pai de uma família extensa,
e me fez compartilhar seu imenso amor pela humanidade.
(1-5-1852: para o P. Faraud)

Só vivo do coração. (26-5-1854: para o P. Bermond)
Sempre dei graças a Deus por este dom particular
que Ele se há dignado de conceder-me: é o templo do coração que Ele me deu, este dom expansivo que é meu próprio dom e que se derrama sobre cada um deles,
sem tirar nada dos outros, precisamente como, atrevo-me a dizer, o amor de Deus pela humanidade.
(2-12-1854: para o P. Mouchette)
Eu amo meus filhos mais, imensamente mais,
que qualquer outra pessoa os poderia amar.
Este é um presente que recebi de Deus.
( 24-4-1855: para o P. Jeanmarie)
A perda de nossos homens
é a única cruz que meu pobre coração não pode suportar.
Jamais conhecerão os outros o forno de amor
que Deus pôs no meu coração...
(25-5-1855: para o P. Jeanmarie)
Quando cessarás de atribular-me?
Que belo será o dia
em que poderás me dizer que estás bem!
Ah, se eu pudesse dar o meu sangue, o faria;
e com que boa vontade o faria!
(22-8-1856:: para o P. Richard)

Parece-me, filho bem amado, que quanto mais amo a cada um com o a mim mesmo, mais amo a Deus
que é a fonte e o vinculo de nosso afeto mútuo.
(22-3-1857: para o P. Mouchette)

Quando eu já não estiver,
vocês terão alguém que me substituirá na minha autoridade, que vos estimará segundo seu mérito;
mas que os amará como eu vos amei: jamais!
(1861: na sua última enfermidade, para o P. Fabre) 

No leito de Morte
Se começo a cochilar, e vocês veem que as coisas pioram,
por favor, me despertem.
Eu gostaria de morrer consciente.
(Dias antes de sua morte)

Quando se esta na cruz, há que agarrar-se a ela;
é uma graça. (No seu leito de morte)

Entre vocês pratiquem caridade, caridade, caridade,
e lá fora, o zelo pela salvação das pessoas.
(No seu leito de morte) 
 

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